Zagreb – Croácia

Zagreb, Croácia: descubra o que fazer, as principais atrações, um roteiro a pé e dicas práticas a partir da nossa primeira viagem internacional.

Igreja de São Marcos em Zagreb

Em julho de 2021, Zagreb foi a nossa primeira experiência internacional. Passamos uma semana na capital da Croácia antes de seguir para morar na Itália. Neste guia, conto como foi nossa viagem e reúno o que fazer em Zagreb, um roteiro a pé, as principais atrações e dicas úteis para conhecer a cidade.

Mapa com a localização de Zagreb na Croácia
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Por que visitamos Zagreb?

Em julho de 2021, poucos dias depois de nos casarmos, saímos do Brasil para começar uma nova vida na Europa. Antes de seguirmos para a Itália, passamos uma semana em Zagreb — nossa primeira experiência internacional e o primeiro lugar desta coleção.

Conhecemos a capital croata praticamente toda a pé, sem um roteiro rígido e com a curiosidade de quem estava descobrindo um novo continente. Neste guia, conto como foi nossa experiência, apresento os principais lugares que visitamos e reúno as dicas que eu gostaria de ter recebido antes da viagem.

Informações rápidas

  • Destino: Zagreb, Croácia
  • Quando fomos: julho de 2021
  • Quanto tempo ficamos: uma semana
  • Como chegamos: avião, com escala em Paris
  • Do aeroporto ao centro: táxi
  • Onde nos hospedamos: Airbnb na rua Hebrangova
  • Como nos locomovemos: principalmente a pé e, em um dia, de bicicleta
  • Tempo indicado para conhecer o essencial: dois ou três dias
  • Moeda atual: euro
  • Idioma oficial: croata
  • Vale a pena? Sim, especialmente para quem gosta de história, arquitetura e cidades que podem ser exploradas caminhando

A história desse lugar

Para entender Zagreb, é preciso começar pelas duas colinas que deram origem à cidade.
Durante a Idade Média, a região era dividida entre Kaptol, onde se concentravam a Catedral e as autoridades religiosas, e Gradec, uma cidade fortificada habitada por comerciantes e artesãos. Os dois núcleos cresceram lado a lado, mas nem sempre de forma pacífica. Disputas por terras, moinhos e comércio eram frequentes.

Uma das lembranças dessa rivalidade permanece no nome da rua Krvavi Most, que significa “Ponte Sangrenta”. A ponte já não existe, mas o nome preserva a memória dos conflitos entre os habitantes de Gradec e Kaptol.

Em 1242, depois das invasões mongóis, Gradec recebeu o título de Cidade Real Livre. Essa proteção ajudou o núcleo a se desenvolver, ganhar autonomia e construir suas muralhas. Parte dessa atmosfera medieval ainda pode ser percebida na Cidade Alta, especialmente nas proximidades do Portão de Pedra e da Igreja de São Marcos.

Kaptol, Gradec e os povoados vizinhos foram oficialmente unidos em 1850, formando a cidade de Zagreb. Algumas décadas depois, um forte terremoto, em 1880, destruiu e danificou muitos edifícios. A reconstrução transformou a capital: surgiram avenidas, praças, parques e construções inspiradas nas grandes cidades da Europa Central.

Foi nesse período que a Cidade Baixa ganhou seu conjunto de parques e praças conhecido como Ferradura Verde de Lenuci. Teatros, museus, jardins e edifícios públicos passaram a ocupar essa parte mais planejada e elegante da cidade.

Durante o século XX, Zagreb fez parte da antiga Iugoslávia. Em 1991, com a independência da Croácia, tornou-se a capital do novo país. Hoje, a cidade mistura construções medievais, arquitetura austro-húngara, edifícios do período socialista e espaços contemporâneos.

Zagreb voltou a ser atingida por um terremoto em março de 2020. Quando estivemos lá, em 2021, alguns locais ainda apresentavam sinais dos danos. Até hoje existem edifícios e instituições em processo de restauração, por isso vale consultar a lista oficial de atrações temporariamente fechadas antes da viagem.

Como chegar

De avião

O Aeroporto Franjo Tuđman está localizado fora da região central, próximo a Velika Gorica. Não existe trem ligando o aeroporto ao centro, mas há táxis, aplicativos de transporte e duas alternativas de ônibus.
O ônibus executivo da Pleso Prijevoz segue até a Rodoviária Central e leva aproximadamente 35 a 40 minutos.

A linha pública 290 conecta o aeroporto à Praça Kvaternik, com trajeto de cerca de 45 a 50 minutos. Os horários podem ser consultados no site oficial do Aeroporto de Zagreb.
Nós optamos pelo táxi porque estávamos com três malas de 23 quilos e outras duas menores. Naquela situação, foi a alternativa mais confortável.

De trem

A principal estação ferroviária é a Zagreb Glavni Kolodvor, próxima à Praça do Rei Tomislav e a poucos minutos do centro histórico.

Existem conexões com cidades como Ljubljana, Viena, Villach e Munique. Para viajar entre Zagreb e a Itália, normalmente é necessário fazer uma ou mais conexões, frequentemente passando pela Eslovênia ou pela Áustria. Como horários e rotas mudam conforme a temporada, consulte a companhia ferroviária croata HŽPP antes de comprar as passagens.

De carro saindo da Itália

Para quem parte do norte da Itália, a rota mais comum passa por Trieste e Ljubljana antes de chegar a Zagreb. É uma opção interessante para combinar Croácia, Eslovênia e Itália na mesma viagem.

Verifique previamente as regras de pedágio e a necessidade de vinheta nos países atravessados. Mesmo dentro do Espaço Schengen, controles temporários de fronteira podem ser restabelecidos.

Na região central de Zagreb, estacionar pode ser mais difícil. Se a hospedagem estiver bem localizada, uma boa alternativa é deixar o carro parado e conhecer o centro a pé.

Funicular que liga as cidades Baixa e Alta de Zagreb
Funicular de Zagreb e Torre Lotrščak

O que ver e fazer

  1. Praça Ban Jelačić
    É o coração da cidade e um excelente ponto para começar o passeio. A praça conecta áreas comerciais, ruas históricas e linhas de bonde. No centro está a estátua equestre de Ban Josip Jelačić.
  2. Mercado Dolac
    Localizado próximo à praça principal, é o mercado mais conhecido de Zagreb. Suas barracas vendem frutas, verduras, flores, queijos e produtos locais. O melhor horário para visitá-lo é pela manhã.
  3. Catedral de Zagreb
    As torres da Catedral da Assunção da Virgem Maria fazem parte da paisagem da cidade. O edifício foi reconstruído depois do terremoto de 1880 e voltou a sofrer danos em 2020. Mesmo quando o acesso ao interior estiver limitado, vale observar sua arquitetura pelo lado de fora.
  4. Rua Tkalčićeva
    Uma das ruas mais movimentadas e agradáveis do centro, repleta de restaurantes, bares e cafés. É uma boa escolha para uma pausa entre os passeios ou para terminar o dia.
  5. Portão de Pedra
    Uma das antigas entradas de Gradec e um dos lugares mais simbólicos de Zagreb. Dentro da passagem existe uma pequena capela dedicada à Virgem Maria. O ambiente costuma ser silencioso, mesmo com pessoas atravessando o local.
  6. Igreja de São Marcos
    É provavelmente a imagem mais reconhecida da cidade. Seu telhado colorido exibe os brasões de Zagreb e do antigo Reino da Croácia, Eslavônia e Dalmácia. A igreja fica no centro político da Cidade Alta, cercada por prédios governamentais.
  7. Torre Lotrščak e Passeio Strossmayer
    A torre fazia parte do sistema de defesa de Gradec e oferece uma bela vista sobre os telhados da cidade. Todos os dias, ao meio-dia, um canhão é disparado do alto da torre, uma das tradições mais conhecidas de Zagreb.
    Ao lado fica o Passeio Strossmayer, uma área agradável para caminhar e observar a Cidade Baixa.
  8. Funicular de Zagreb
    O pequeno funicular liga a Cidade Baixa à Cidade Alta. O trajeto é muito curto, mas faz parte da experiência da cidade. Depois de uma longa restauração, ele voltou a funcionar em maio de 2026, segundo a operadora de transporte ZET.
  9. Túnel Grič
    Construído como abrigo durante a Segunda Guerra Mundial, o túnel atravessa parte da Cidade Alta. Hoje, suas passagens são utilizadas por moradores, turistas e, ocasionalmente, para exposições e eventos.
  10. Cidade Baixa e Ferradura Verde
    A Cidade Baixa apresenta um lado mais planejado e elegante de Zagreb. O percurso pelos parques da Ferradura Verde passa por lugares como o Parque Zrinjevac, a Praça do Rei Tomislav, o Teatro Nacional Croata e outros edifícios históricos.
  11. Jardim Botânico
    Um espaço tranquilo em meio à cidade, com caminhos, lagos, estufas e diferentes espécies de plantas. É uma pausa agradável depois de caminhar pelas ruas movimentadas do centro.
  12. Cemitério Mirogoj
    Mirogoj é muito mais do que um cemitério. Seus pavilhões, arcadas, cúpulas e esculturas formam um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes de Zagreb. O local reúne túmulos de pessoas de diferentes religiões e momentos da história croata.
  13. Parque Maksimir
    Um dos maiores e mais antigos parques da cidade, ideal para caminhar, descansar ou pedalar. Foi ali que encontramos a Sokolska mogila, uma colina com uma escadaria que leva até um monumento coroado por um falcão de bronze — a ave que, naquela época, eu acreditava ser uma águia.
  14. Museu das Relações Terminadas
    O Museum of Broken Relationships reúne objetos acompanhados por histórias de relacionamentos que chegaram ao fim. É pequeno, diferente e um dos museus mais curiosos da cidade.

Roteiro sugerido

Dois dias são suficientes para conhecer os principais pontos. Três dias proporcionam uma visita mais tranquila. Nós ficamos uma semana por causa das restrições da pandemia e aproveitamos para explorar a cidade sem pressa.

Mapa do roteiro turístico por Zagreb

Dia 1 — Centro histórico e Cidade Alta

Comece pela Praça Ban Jelačić, visite o Mercado Dolac e siga até a Catedral de Zagreb. Depois, caminhe pela rua Tkalčićeva, atravesse o Portão de Pedra e conheça a Igreja de São Marcos. Continue até a Torre Lotrščak e o Passeio Strossmayer, experimente o funicular e termine o percurso pelo Túnel Grič.

Dia 2 — Cidade Baixa e áreas mais afastadas

Percorra os parques da Ferradura Verde, passando por Zrinjevac, Praça do Rei Tomislav, Jardim Botânico e Teatro Nacional Croata. Reserve parte do dia para conhecer o Cemitério Mirogoj e, se houver tempo, caminhar ou pedalar pelo Parque Maksimir.

Terceiro dia, se tiver mais tempo

Visite o Museu das Relações Terminadas, conheça outros museus da cidade e volte com calma aos lugares que mais chamaram sua atenção.

Nossa experiência

Nosso Airbnb ficava na rua Hebrangova, em uma região central e com fácil acesso aos pontos turísticos. Quando chegamos, levamos um pequeno susto. Os prédios eram antigos e muitas fachadas estavam pichadas, o que nos fez imaginar que o apartamento também estaria em condições ruins. Julgamos cedo demais.

Depois de subir quatro andares de escada com três malas de 23 quilos e outras duas menores, encontramos um apartamento lindo, reformado e muito bem equipado. O local ainda contava com equipe de limpeza e um lounge compartilhado, acessado por senha. Foi uma grata surpresa e um dos primeiros aprendizados da viagem: nem sempre a fachada revela o que existe do lado de dentro.

A localização foi uma das melhores escolhas que fizemos. Visitamos praticamente todos os pontos turísticos caminhando. Em um dos dias, alugamos bicicletas por aplicativo e exploramos regiões mais afastadas.

Na época, a moeda croata ainda era a kuna. A conversão nos favorecia e, dentro do nosso orçamento, hospedagem, alimentação e passeios pareciam baratos. Essa experiência pertence ao contexto de 2021: a Croácia adotou o euro em janeiro de 2023. Comissão Europeia

Zagreb foi mais do que uma parada antes da Itália. Foi a cidade onde começamos a entender o que significava estar longe do Brasil, ouvir outra língua, experimentar novos sabores e descobrir um lugar caminhando, sem pressa e sem saber exatamente o que encontraríamos na próxima rua.
Foi o primeiro capítulo da nossa vida fora do país — e o primeiro lugar desta coleção.


O que comer em Zagreb

A gastronomia foi uma das partes mais diferentes da viagem. Além da língua, os nomes e ingredientes dos pratos eram desconhecidos para nós. Levamos alguns dias para entender melhor os cardápios e descobrir o que pedir.

Entre as comidas que podem ser procuradas estão o štrukli, uma massa recheada com queijo que pode ser assada ou cozida; o zagrebački odrezak, uma carne empanada e recheada; e a purica s mlincima, peru servido com uma massa fina tradicional.
Também vale entrar nas padarias e observar os pratos do dia oferecidos pelos restaurantes. Um aplicativo de tradução ajuda bastante quando o cardápio não está disponível em outro idioma.

O que faríamos diferente

Como essa foi nossa primeira experiência internacional, chegamos sem entender muito bem o transporte, a gastronomia ou a dinâmica da cidade. Se voltássemos hoje, pesquisaríamos melhor os pratos tradicionais, reservaríamos mais tempo para alguns museus e verificaríamos antecipadamente quais edifícios estavam abertos por causa das restaurações.

Também confirmaríamos se a hospedagem possuía elevador antes de chegar com tantas malas. Ainda assim, caminhar por Zagreb sem um roteiro rígido fez parte da experiência e nos permitiu descobrir lugares que talvez não estivessem nos nossos planos.

Dicas úteis

  • Reserve pelo menos dois dias para os principais pontos turísticos.
  • Escolha uma hospedagem central se quiser fazer grande parte do roteiro a pé.
  • Leve calçados confortáveis: existem ruas de pedra, ladeiras e escadas na Cidade Alta.
  • Use os bondes e ônibus para visitar Mirogoj, Maksimir e áreas mais afastadas.
  • No verão, leve água e proteção solar. Julho pode ter dias bastante quentes.
  • Confira horários e possíveis fechamentos antes de visitar igrejas e museus.
  • A moeda atual é o euro; não utilize os preços da nossa viagem de 2021 como referência.
  • Experimente pelo menos um prato tradicional, mesmo que o cardápio pareça difícil no início.
  • Se estiver com muitas malas, confirme se a hospedagem possui elevador.
  • Para visitar vários museus e usar o transporte público, compare os ingressos individuais com o Zagreb Card.

Zagreb pelos olhos de uma arquiteta

Uma das coisas que mais me chamou a atenção em Zagreb foi perceber como diferentes períodos da história convivem dentro da mesma cidade. Na Cidade Alta, as ruas estreitas, os caminhos irregulares e a escala mais intimista ainda lembram sua formação medieval. Já na Cidade Baixa, surgem avenidas planejadas, praças, parques e edifícios monumentais que revelam uma cidade mais organizada e influenciada pela arquitetura da Europa Central.

Caminhar entre essas duas regiões é quase como percorrer diferentes capítulos da história de Zagreb. Como arquiteta, achei especialmente interessante observar os telhados, as fachadas ornamentadas, os edifícios austro-húngaros e as marcas deixadas pelos terremotos e pelas reconstruções da cidade.

Afinal, vale a pena visitar Zagreb?

Sim, especialmente para quem gosta de história, arquitetura e cidades que podem ser exploradas caminhando. Zagreb não possui o mar que tornou a Croácia tão conhecida, mas oferece uma atmosfera completamente diferente: ruas históricas, mercados, parques, cafés, museus curiosos e uma mistura arquitetônica que revela as muitas transformações da cidade.

Dois dias são suficientes para conhecer os principais pontos, mas três dias permitem fazer tudo com mais tranquilidade. Para nós, Zagreb sempre será ainda mais especial por ter sido o primeiro capítulo da nossa vida fora do Brasil e o primeiro lugar desta coleção.

Galeria

Quem colecionou este lugar?

Bruna Cristina Barbosa

Brasileira, arquiteta e moradora de Vicenza, na Itália. Compartilho viagens, passeios e experiências que vivi de verdade — incluindo muitos lugares visitados com meu cachorro.

Conheça a Bruna →

1 comentário

  1. Também já me assustei com a fachada de uma hospedagem e depois encontrei um apartamento maravilhoso por dentro. A parte do Airbnb me fez rir!

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