Um reencontro esperado por quase três anos e três dias em família entre o Vaticano, a Roma Antiga e alguns dos monumentos mais importantes da Cidade Eterna.
Este não é apenas mais um lugar colecionado.
E a importância desta viagem nem mesmo está no fato de o destino ser Roma — a Cidade Eterna, uma das cidades mais importantes da história da humanidade.
Roma foi o cenário. O que tornou essa viagem inesquecível foram todos os motivos que nos levaram até lá.

Eu não via a minha família pessoalmente desde que havia deixado o Brasil, em 2021. Depois de quase três anos, eles estavam fazendo a primeira viagem internacional de suas vidas justamente para me encontrar na Itália.
Entre eles estava a minha avó.
Os avós dela haviam deixado Vicenza para construir uma nova vida no sul do Brasil. Foi ouvindo as histórias que eles contavam que ela cresceu amando a Itália e, como passou grande parte da minha infância ao meu lado, acabou transmitindo esse amor para mim.
Quando eu tinha aproximadamente cinco anos, dizia que um dia moraria na Itália e que ela viria para cá comigo.
Naquele momento, isso não passava de uma promessa improvável feita por uma criança.
Quase três décadas depois, eu realmente estava morando na Itália — e a minha avó, aos 77 anos, estava pousando em Roma para me encontrar.
Aquela também seria a primeira vez dos meus pais, da minha irmã e de parte da minha família fora do Brasil. Seriam três dias de reencontro, dois aniversários, a realização de um sonho religioso para eles e o meu primeiro contato com edifícios que havia estudado durante anos como arquiteta.
Minha irmã comemoraria o aniversário diante do Coliseu. Eu comemoraria o meu assistindo a uma missa na Basílica de São Pedro. Minha avó finalmente pisaria no país sobre o qual ouvira histórias desde criança.
Se esse reencontro tivesse acontecido em qualquer outra cidade, já teria sido uma das viagens mais importantes da minha vida.
Mas aconteceu em Roma.
Em uma cidade onde diferentes épocas continuam existindo umas sobre as outras, nós também estávamos unindo passado e presente: a partida dos nossos antepassados italianos, as histórias transmitidas dentro da família, a minha mudança para a Itália e a chegada da minha avó ao país que, de alguma maneira, sempre fez parte da nossa história.
Por isso, Roma não foi apenas mais um lugar que colecionamos.
Foi o lugar onde uma promessa feita na infância finalmente se tornou realidade.
Informações rápidas
- Destino: Roma, região do Lazio, Itália;
- Período da viagem: de 1º a 3 de maio de 2024;
- Duração: três dias e duas noites;
- Tipo de viagem: viagem em família, história, arquitetura e turismo religioso;
- Como chegamos: trem noturno de Vicenza até Roma;
- Transporte em Roma: trem, metrô, caminhada e táxi;
- Hospedagem: apartamento reservado pelo Airbnb próximo à estação Ottaviano;
- Viajamos com cachorro: não;
- Perfil do grupo: família com diferentes idades, incluindo a minha avó de 77 anos;
- Distância percorrida no segundo dia: aproximadamente 14 quilômetros.
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A história desse lugar
Contar a história de Roma não significa apenas falar do Império Romano.
Antes de se tornar a capital de um império, Roma foi um conjunto de pequenos povoados. Depois foi monarquia, república e capital imperial. Sobreviveu à fragmentação do Império Romano do Ocidente, tornou-se um dos principais centros do cristianismo, foi governada durante séculos pelos papas, transformou-se com o Renascimento e o Barroco e, finalmente, tornou-se a capital da Itália unificada.
Cada uma dessas fases deixou marcas na cidade.
É por isso que, em Roma, uma caminhada de poucos quilômetros pode começar diante de uma construção da Antiguidade, passar por uma igreja medieval, atravessar uma praça barroca e terminar diante de um monumento ligado à unificação italiana.
A fundação entre lenda e arqueologia
Segundo a tradição romana, a cidade foi fundada em 21 de abril de 753 a.C. por Rômulo.
A lenda conta que Rômulo e Remo eram filhos de Reia Sílvia e do deus Marte. Abandonados às margens do rio Tibre, teriam sido amamentados por uma loba e posteriormente criados pelo pastor Fáustulo e por sua esposa, Aca Larência.
Quando adultos, decidiram fundar uma cidade. Após uma disputa para determinar quem teria o direito de governá-la, Rômulo matou Remo e se tornou o primeiro rei de Roma.
A arqueologia apresenta uma origem menos repentina. Em vez de uma cidade fundada em um único dia, as evidências indicam a presença de diferentes comunidades estabelecidas nos montes romanos entre os séculos X e VII a.C. No século VIII a.C., já existia um núcleo habitado no Palatino, justamente o monte associado à lenda de Rômulo.
Com o tempo, esses povoados se aproximaram política, religiosa e economicamente, formando uma cidade. A localização favorecia esse desenvolvimento: o rio Tibre permitia circulação e comércio, enquanto os montes ofereciam posições defensivas.
Portanto, 753 a.C. deve ser entendido como a data tradicional da fundação, não como a comprovação de que Roma surgiu pronta naquele ano. A Treccani diferencia a tradição de Rômulo das evidências arqueológicas.
A monarquia romana
A primeira fase da história de Roma foi a monarquia, tradicionalmente situada entre 753 e 509 a.C.
A tradição registra sete reis: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo.
Os primeiros reis possuem forte caráter lendário, enquanto os últimos refletem a influência etrusca sobre Roma. Durante esse período, a cidade cresceu, desenvolveu instituições políticas e religiosas, ampliou suas defesas e realizou importantes obras de infraestrutura.
A drenagem das áreas pantanosas entre os montes permitiu a formação do espaço que se tornaria o Fórum Romano. A Cloaca Máxima, um dos mais antigos sistemas de esgoto da cidade, também está relacionada a esse processo de transformação urbana.
Segundo a tradição, a monarquia terminou após a expulsão de Tarquínio, o Soberbo, em 509 a.C.
A República Romana
Com o fim da monarquia, Roma passou a ser governada por magistrados e pelo Senado, iniciando o período da República.
O poder, entretanto, não se tornou imediatamente democrático. Durante muito tempo, esteve concentrado entre os patrícios, enquanto os plebeus lutavam por representação política e direitos civis.
Essa disputa levou à criação de novas instituições e leis, entre elas o cargo de tribuno da plebe e a Lei das Doze Tábuas, um dos primeiros registros escritos do direito romano.
Durante os séculos seguintes, Roma expandiu seu domínio pelo território italiano. Depois vieram os conflitos contra Cartago, conhecidos como Guerras Púnicas. A vitória romana abriu caminho para sua expansão pelo Mediterrâneo.
No século II a.C., Roma controlava territórios na Europa, no norte da África e na Ásia. Entretanto, essa expansão também aprofundou desigualdades econômicas e disputas políticas.
As conquistas trouxeram riquezas e milhares de pessoas escravizadas, mas também contribuíram para a concentração de terras e para o empobrecimento de parte da população. Reformas fracassadas, revoltas, guerras civis e a disputa entre líderes militares enfraqueceram progressivamente as instituições republicanas.
Júlio César acumulou poderes extraordinários e foi assassinado em 44 a.C. Depois de novos conflitos, seu herdeiro Otaviano derrotou Marco Antônio e Cleópatra.
Em 27 a.C., Otaviano recebeu o título de Augusto. Esse momento é tradicionalmente considerado o início do Império Romano.
Roma, capital de um império
Durante o Império, Roma transformou-se no centro político e simbólico de um território imenso.
Especialmente nos dois primeiros séculos, a cidade recebeu fóruns, templos, termas, aquedutos, teatros, anfiteatros, palácios, estradas e edifícios administrativos.
O Coliseu, o Pantheon, os Fóruns Imperiais, as Termas de Caracalla e os aquedutos são apenas alguns dos testemunhos dessa fase.
Essas construções não serviam somente a funções práticas. Também comunicavam poder. Os imperadores utilizavam a arquitetura para associar seus governos à prosperidade, à ordem e à grandeza de Roma.
As estradas conectavam as províncias à capital. Os aquedutos abasteciam fontes, casas, termas e espaços públicos. Os anfiteatros e circos recebiam grandes espetáculos. Os fóruns concentravam atividades políticas, religiosas, judiciais e comerciais.
Entretanto, o império enfrentou crises políticas, econômicas e militares. No final do século III, sua administração foi dividida para facilitar o controle do território.
No início do século IV, o imperador Constantino reconheceu a liberdade de culto dos cristãos. Isso não transformou imediatamente o cristianismo na religião oficial do império, mas alterou profundamente a relação entre o Estado romano e uma religião que havia sido perseguida.
Constantino também transferiu o centro político para Constantinopla, inaugurada em 330. Roma continuou sendo uma cidade de enorme importância simbólica, mas deixou de concentrar o governo imperial.
Em 395, o Império Romano foi definitivamente dividido entre Oriente e Ocidente. Em 476, a deposição de Rômulo Augusto marcou convencionalmente o fim do Império Romano do Ocidente.
Da capital imperial à cidade cristã
A queda do Império Romano do Ocidente não significou que Roma desapareceu, mas a cidade passou por uma profunda transformação.
Sua população diminuiu, sistemas de infraestrutura deixaram de receber a mesma manutenção e muitos edifícios antigos perderam suas funções originais.
Templos foram convertidos em igrejas. Estruturas romanas foram transformadas em fortalezas, residências ou espaços de trabalho. Mármore, colunas e pedras retirados de edifícios antigos foram reutilizados em novas construções.
Esse processo explica por que tantos monumentos romanos chegaram fragmentados até o presente. Ao mesmo tempo, a adaptação para novas funções também salvou alguns edifícios.
O Pantheon é um exemplo decisivo. Sua transformação em igreja cristã no início do século VII contribuiu para que permanecesse preservado, enquanto outras construções semelhantes foram abandonadas ou desmontadas.
A presença das sepulturas dos apóstolos Pedro e Paulo transformou Roma em um importante destino de peregrinação. Gradualmente, a autoridade dos papas cresceu e passou a exercer influência não apenas religiosa, mas também política e territorial.
Roma medieval e o poder dos papas
Durante a Idade Média, Roma era muito diferente da cidade monumental imaginada quando pensamos no Império.
Grandes áreas antigas haviam sido abandonadas. Algumas ruínas foram incorporadas a fortalezas de famílias poderosas. O Coliseu, por exemplo, também foi utilizado como fortificação.
A vida urbana passou a se concentrar em outras áreas, principalmente próximas ao Tibre, às igrejas e às rotas percorridas pelos peregrinos.
A partir do século VIII, formaram-se os Estados Pontifícios, territórios da Península Itálica governados pelos papas. Roma tornou-se o centro político desse domínio e o coração religioso da Igreja Católica ocidental.
Em 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno imperador na antiga Basílica de São Pedro, reforçando a ligação entre autoridade religiosa e poder político.
No entanto, Roma continuou enfrentando disputas entre famílias nobres, papas, imperadores e diferentes facções políticas.
Entre 1309 e 1377, a sede papal foi transferida para Avignon, na França. A ausência da corte pontifícia contribuiu para um período de abandono e perda de importância da cidade.
Quando os papas retornaram definitivamente, encontraram uma Roma que precisava ser reconstruída.
Renascimento: reconstruir Roma para reconstruir o poder
A partir do século XV, os papas passaram a utilizar arquitetura, urbanismo e arte como instrumentos para reafirmar a importância de Roma e da Igreja.
Novas ruas foram abertas, antigas basílicas restauradas, palácios construídos e artistas de diferentes regiões da Itália foram chamados para trabalhar na cidade.
Bramante, Rafael e Michelangelo participaram dessa transformação. O Vaticano tornou-se um dos grandes centros artísticos do Renascimento, enquanto Roma voltava a assumir uma posição central na cultura europeia.
Esse processo não ocorreu sem conflitos. Em 1527, tropas do imperador Carlos V saquearam Roma. O episódio provocou destruição, mortes e uma interrupção brutal da vida artística e religiosa da cidade.
Ainda assim, Roma retomou seu programa de reconstrução.
No final do século XVI, o papa Sisto V promoveu uma grande reorganização urbana. Novos eixos viários conectaram basílicas e pontos importantes da cidade. Obeliscos antigos foram reposicionados como referências visuais e religiosas.
O objetivo era facilitar a circulação dos peregrinos, mas também produzir uma Roma organizada em grandes perspectivas monumentais.
A Roma Barroca
Nos séculos XVII e XVIII, Roma tornou-se um dos principais centros do Barroco.
A cidade foi transformada por igrejas, praças, fontes, escadarias e fachadas concebidas para criar movimento, surpresa e dramaticidade.
Gian Lorenzo Bernini e Francesco Borromini foram dois dos maiores protagonistas desse período.
Bernini trabalhou com composições monumentais e cenográficas, como a Piazza San Pietro e a Fontana dei Quattro Fiumi. Borromini explorou geometrias complexas, superfícies curvas e relações espaciais pouco convencionais em obras como San Carlo alle Quattro Fontane.
A Fontana di Trevi, a Piazza Navona, a Piazza di Spagna e numerosas igrejas mostram como a cidade barroca não se limitava aos edifícios. Ruas, fontes, esculturas, fachadas e perspectivas eram pensadas como partes de uma experiência urbana contínua.
Grande parte da imagem de Roma que hoje reconhecemos foi construída nesse período.
Roma torna-se a capital da Itália
Durante séculos, Roma permaneceu sob o governo dos papas.
Isso mudou durante o processo de unificação italiana.
Em 20 de setembro de 1870, as tropas do Reino da Itália entraram na cidade pela Brecha de Porta Pia. Os Estados Pontifícios chegaram ao fim e Roma foi incorporada ao novo reino.
No ano seguinte, em 1871, Roma tornou-se oficialmente a capital da Itália.
A cidade precisou adaptar-se rapidamente às funções administrativas de uma capital moderna. Ministérios, bairros residenciais, avenidas e novas infraestruturas modificaram sua dimensão e seu funcionamento.
Durante o período fascista, Roma passou por outras intervenções radicais. Bairros inteiros foram demolidos para criar eixos monumentais e isolar determinados vestígios antigos.
A atual Via dei Fori Imperiali, inaugurada em 1932 como Via dell’Impero, foi aberta após a demolição do bairro Alessandrino e o corte parcial da colina da Velia. A avenida criou a perspectiva monumental entre Piazza Venezia e o Coliseu, mas destruiu construções e parte da estratificação histórica existente no local. A própria história oficial da Via dei Fori Imperiali registra essa contradição.
Essa é uma das chaves para compreender Roma: cada período não apenas acrescentou novas construções, mas também reinterpretou, reutilizou e, algumas vezes, destruiu partes da cidade anterior.
Roma não é uma cidade congelada no passado.
É uma cidade formada por camadas — e por conflitos entre essas camadas.
E a história do Vaticano?
O Vaticano aparece neste artigo porque foi uma parte central da nossa viagem a Roma, do nosso reencontro e das experiências que vivemos em família.
Entretanto, sua história é extensa demais para ser reduzida a alguns parágrafos dentro deste post. Desde o território romano anterior ao cristianismo e a sepultura atribuída a São Pedro até a antiga basílica constantiniana, os Palácios Vaticanos, a Capela Sistina, a construção da atual Basílica de São Pedro e a criação do Estado da Cidade do Vaticano em 1929, existe praticamente outro artigo inteiro a ser contado.
Por isso, preparei um conteúdo separado dedicado exclusivamente ao Vaticano, à sua história, arquitetura e aos principais lugares para conhecer.
Como chegamos a Roma
Saímos de Vicenza na noite de 30 de abril de 2024 em um trem noturno com destino a Roma.
Chegamos à estação Roma Termini na manhã de 1º de maio. De lá, seguimos de trem até o Aeroporto de Roma Fiumicino, onde encontraríamos a minha família.
Eles estavam chegando do Brasil para a primeira viagem internacional de suas vidas.
Eu não os via pessoalmente havia quase três anos.
Depois do reencontro no aeroporto, seguimos para o apartamento, deixamos as malas e descansamos um pouco antes de começar o nosso primeiro passeio.
Na volta, no dia 3 de maio, pegamos um táxi do apartamento até Roma Termini e embarcamos em um Frecciarossa com destino a Vicenza.
Para quem já está na Itália, o trem é uma das opções mais práticas para chegar a Roma. A estação Termini está conectada ao metrô e a diferentes linhas de ônibus, facilitando o deslocamento até outras regiões da cidade.
Roma também possui dois aeroportos principais: Fiumicino, que recebe a maior parte dos voos internacionais, e Ciampino, utilizado principalmente por algumas companhias de baixo custo.
Onde ficamos hospedados
Ficamos hospedados em um apartamento reservado pelo Airbnb, próximo à estação de metrô Ottaviano e ao Vaticano.
A localização foi escolhida principalmente porque visitar a Basílica de São Pedro era uma das prioridades da viagem.
Estar perto de Ottaviano facilitou o deslocamento para outras regiões de Roma e permitiu que fôssemos caminhando até a Piazza San Pietro.
Também havia restaurantes, cafés, mercados e serviços próximos ao apartamento.
Por outro lado, a região não fica ao lado do Coliseu ou de todas as atrações do centro histórico. Para chegar a alguns pontos, ainda era necessário utilizar o metrô ou caminhar bastante.
Mesmo assim, para o perfil da nossa viagem, a localização funcionou bem. Estávamos em um grupo grande, com pessoas de diferentes idades, e poder retornar rapidamente ao apartamento depois da visita ao Vaticano foi importante.
O que ver e fazer em Roma
Nosso roteiro foi concentrado em três dias. Por isso, vimos muitos monumentos apenas externamente e não conseguimos entrar em todos os lugares.
Estes foram os principais pontos da nossa viagem.
1. Piazza San Pietro e Basílica de São Pedro
A Piazza San Pietro foi o primeiro grande lugar que visitamos em Roma.
Depois de deixarmos as malas e descansarmos um pouco, caminhamos do apartamento até o Vaticano.
Chovia bastante, estávamos cansados da viagem e o nosso grupo precisava avançar em um ritmo mais lento. Mesmo assim, atravessar a colunata e ver a Basílica de São Pedro pela primeira vez foi um dos momentos mais importantes da viagem.
Entramos na basílica depois de passar pelo controle de segurança.
No interior, conseguimos ver a Pietà de Michelangelo, o grande baldaquino de Bernini, a cúpula e alguns dos altares e monumentos distribuídos pelas naves.
A escala do edifício é tão grande que muitas obras parecem menores do que realmente são. Só quando observamos as pessoas próximas aos elementos arquitetônicos conseguimos compreender melhor suas dimensões.
Nossa primeira visita foi mais rápida do que eu gostaria. Voltamos na manhã do terceiro dia para assistir a uma missa, justamente no dia do meu aniversário.
A história completa do território, da basílica e da formação do Vaticano estará no artigo específico:
Leia também: Vaticano [EM BREVE]
2. Fontana di Trevi
Começamos o nosso segundo dia pela Fontana di Trevi.
A fonte marca o ponto final do antigo aqueduto Aqua Virgo, construído durante o período romano e posteriormente restaurado. A composição que vemos atualmente foi desenvolvida principalmente no século XVIII, a partir do projeto de Nicola Salvi.
No centro está a figura de Oceano, acompanhada por cavalos-marinhos, tritões e esculturas relacionadas à abundância e à salubridade.
A fachada do Palazzo Poli funciona como parte da própria fonte. Arquitetura, escultura, rocha e água não são percebidas como elementos separados, mas como uma única composição.
O espaço diante da fonte é menor do que muitas fotografias fazem parecer. A proximidade entre as construções e a grande quantidade de visitantes tornam o local bastante movimentado.
Chegar cedo é a melhor maneira de observá-la com um pouco mais de calma. Mesmo assim, dificilmente será um lugar vazio.
3. Mercados de Trajano
Depois da Fontana di Trevi, seguimos em direção à região dos Fóruns Imperiais.
Passamos pelos Mercados de Trajano, um conjunto construído no início do século II e tradicionalmente associado ao arquiteto Apolodoro de Damasco.
O complexo acompanhava o corte realizado na encosta do monte Quirinal para a construção do Fórum de Trajano. Seus diferentes níveis reuniam ambientes administrativos, comerciais e de circulação.
A utilização de tijolos, arcos, abóbadas e espaços distribuídos em vários níveis demonstra a capacidade técnica da arquitetura romana.
Não visitamos o interior durante essa viagem. Observamos o conjunto externamente enquanto seguíamos em direção à Via dei Fori Imperiali.
4. Fóruns Imperiais e Via dei Fori Imperiali
Os Fóruns Imperiais foram construídos em diferentes períodos para ampliar os espaços políticos, administrativos e monumentais da cidade.
O conjunto inclui os fóruns de César, Augusto, Nerva e Trajano, além do Templo da Paz.
Diferentemente do Fórum Romano, que se desenvolveu gradualmente ao longo dos séculos, os Fóruns Imperiais foram planejados por diferentes governantes como grandes intervenções ligadas à representação do poder.
Caminhar pela Via dei Fori Imperiali permite observar parte dessas ruínas e cria uma ligação visual direta entre Piazza Venezia e o Coliseu.
Entretanto, a própria avenida faz parte de uma intervenção muito posterior. Inaugurada em 1932 como Via dell’Impero, exigiu a demolição do bairro Alessandrino e alterou profundamente a área arqueológica.
A avenida que hoje facilita a contemplação das ruínas também destruiu parte das camadas históricas existentes no local.
Essa contradição é uma das características mais interessantes de Roma: até mesmo a maneira como observamos o passado foi construída por decisões políticas tomadas em outros períodos.
5. Coliseu
O nome oficial do Coliseu é Anfiteatro Flávio.
Sua construção começou durante o governo de Vespasiano, por volta do ano 70, e foi inaugurada durante o governo de Tito, no ano 80. Intervenções posteriores foram realizadas por Domiciano.
O anfiteatro recebia combates de gladiadores, caçadas, execuções e diferentes espetáculos públicos.
Além da imagem monumental, o edifício demonstra um sistema extremamente eficiente de estrutura e circulação.
Arcos, corredores, escadas, setores e entradas permitiam distribuir grandes quantidades de pessoas. A fachada era organizada por diferentes ordens arquitetônicas, enquanto o interior possuía uma complexa estrutura de apoio à arena.
Conseguimos comprar ingressos apenas para parte da família. Enquanto alguns visitavam o interior, o restante do grupo ficou em um café próximo.
A compra dos ingressos foi uma das partes mais problemáticas do planejamento. Para evitar separar o grupo, o ideal é comprar todas as entradas na mesma etapa e com antecedência pelo site oficial do Parque Arqueológico do Coliseu.
O tempo no café acabou se transformando em uma das lembranças mais especiais da viagem porque aquele dia também era o aniversário da minha irmã.
Perguntei à equipe se poderiam improvisar alguma coisa para cantarmos parabéns. Eles transformaram um tiramisù em bolo de aniversário e ainda saíram para comprar velas.
6. Vittoriano e Piazza Venezia
Depois do Coliseu, seguimos pela Via dei Fori Imperiali até Piazza Venezia.
Ali está o Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II, conhecido como Vittoriano ou Altare della Patria.
O monumento foi construído para homenagear Vittorio Emanuele II, primeiro rei da Itália unificada. Sua construção começou no final do século XIX e continuou durante as primeiras décadas do século XX.
A composição monumental utiliza mármore claro, grandes escadarias, colunas e esculturas. No centro está a estátua equestre de Vittorio Emanuele II.
O edifício possui uma presença completamente diferente das ruínas antigas que havíamos acabado de atravessar. Ele representa uma fase recente da história de Roma, ligada à formação do Estado italiano e à transformação da cidade em capital.
Não entramos no monumento. Fizemos apenas uma pausa na região antes de continuar o percurso a pé.
7. Pantheon
Do Vittoriano, seguimos até o Pantheon.
O edifício atual foi construído durante o governo do imperador Adriano, no século II, sobre uma construção anterior ligada a Marco Agripa.
Seu interior é marcado pela grande rotunda, pela cúpula de concreto e pelo óculo central aberto. O diâmetro da cúpula e a altura interna são praticamente iguais, criando a sensação de uma esfera perfeita inserida no espaço.
A espessura e os materiais da cúpula mudam conforme ela se aproxima do óculo, reduzindo progressivamente seu peso. Os caixotões também contribuem para o alívio da estrutura e para a organização visual da superfície.
Posteriormente, o antigo templo foi transformado na Basílica de Santa Maria ad Martyres. Essa utilização religiosa contribuiu para sua preservação.
Não conseguimos visitar o interior durante essa viagem.
O Pantheon permanece na minha lista para uma próxima visita, porque observá-lo apenas externamente não permite compreender completamente sua geometria, a cúpula e a entrada de luz pelo óculo.
8. Piazza Navona
Do Pantheon, caminhamos até a Piazza Navona.
A forma alongada da praça preserva o desenho do antigo Estádio de Domiciano, construído naquele local durante o período romano. Os edifícios posteriores ocuparam as bordas da antiga estrutura, mas a geometria do estádio permaneceu registrada no espaço urbano.
No centro está a Fontana dei Quattro Fiumi, projetada por Gian Lorenzo Bernini e inaugurada em 1651. As figuras representam quatro grandes rios associados aos continentes conhecidos naquele período.
A praça também reúne a igreja de Sant’Agnese in Agone, outras duas fontes, palácios, cafés e artistas de rua.
A história da Piazza Navona mostra como a cidade barroca se desenvolveu sobre a estrutura da Roma Antiga sem apagar completamente sua forma.
9. Piazza di Spagna
Nossa última grande parada foi a Piazza di Spagna e a Scalinata di Trinità dei Monti.
A escadaria foi construída entre 1723 e 1726 a partir do projeto de Francesco De Sanctis. Ela conecta a praça à igreja de Trinità dei Monti, localizada na parte superior.
Mais do que vencer um desnível, a escadaria cria um grande cenário urbano, com mudanças de direção, terraços e diferentes pontos de observação.
Depois de um dia inteiro caminhando, chegamos ali cansados. Ao final do percurso, tínhamos percorrido aproximadamente 14 quilômetros.
A disposição da minha avó, então com 77 anos, surpreendeu a todos. Mesmo assim, reconheço que o trajeto foi excessivo para o perfil do nosso grupo.

































Roteiro de três dias em Roma
Primeiro dia: chegada e Vaticano
- Chegada a Roma Termini;
- Trem até o aeroporto;
- Encontro com a família;
- Deslocamento até o apartamento;
- Check-in e descanso;
- Piazza San Pietro;
- Basílica de São Pedro;
- Jantar na região de Ottaviano.
Segundo dia: centro histórico e Roma Antiga
- Fontana di Trevi;
- Mercados de Trajano;
- Fóruns Imperiais;
- Via dei Fori Imperiali;
- Coliseu;
- Vittoriano;
- Pantheon;
- Piazza Navona;
- Piazza di Spagna;
- Retorno de metrô.
Terceiro dia: missa e retorno
- Café da manhã;
- Missa na Basílica de São Pedro;
- Almoço próximo ao Vaticano;
- Retorno ao apartamento;
- Bolo de aniversário;
- Táxi até Roma Termini;
- Frecciarossa para Vicenza.
Esse foi o nosso roteiro real, mas não é o roteiro que eu recomendaria copiar integralmente para um grupo com idosos.
O segundo dia concentrou atrações demais, exigiu aproximadamente 14 quilômetros de caminhada e deixou pouco tempo para entrar nos monumentos.

Nossa experiência
O reencontro no aeroporto
Minha família pousou em Roma no dia 1º de maio de 2024.
Eu não os via pessoalmente desde que deixei o Brasil, em 2021. Aquela também era a primeira viagem internacional deles e a primeira vez de todos na Itália.
Entre todas as pessoas que estavam chegando, a presença da minha avó carregava um significado ainda maior.
Os avós dela haviam saído de Vicenza para viver no sul do Brasil. Ela cresceu ouvindo as histórias que eles contavam sobre a Itália e, como foi praticamente a minha babá durante toda a infância, transmitiu esse amor pelo país para mim.
Eu tinha apenas cinco anos quando comecei a dizer que um dia moraria na Itália. Também dizia que ela viria para cá comigo.
Naquele 1º de maio, aquela conversa entre uma avó e uma criança finalmente havia se tornado real.
Ela estava pousando em Roma.
O primeiro encontro com o Vaticano
Depois de quase três anos sem ver minha família, estávamos todos caminhando juntos em direção à Piazza San Pietro.
Chovia bastante e o grupo ainda estava cansado da viagem do Brasil. Por isso, nossa visita aconteceu em um ritmo mais lento.
Mesmo assim, entramos na Basílica de São Pedro, vimos a Pietà e tivemos nosso primeiro contato com um dos edifícios mais importantes da história da arquitetura.
Eu queria ter observado muito mais. Queria estudar cada detalhe, caminhar lentamente pela praça e permanecer mais tempo no interior da basílica.
Mas aquela não era uma viagem somente sobre mim.
Era uma viagem em família, com diferentes idades, interesses e condições físicas. Respeitar isso era mais importante do que completar uma lista de arquitetura.
Um aniversário diante do Coliseu
O segundo dia também era aniversário da minha irmã.
Enquanto parte da família visitava o interior do Coliseu, sentamos em um café próximo e perguntei se poderiam improvisar alguma coisa para cantarmos parabéns.
A equipe foi sensacional.
Eles transformaram um tiramisù em bolo de aniversário e ainda saíram para comprar velas.
No meio de monumentos grandiosos, um tiramisù improvisado e a gentileza de desconhecidos se tornaram uma das lembranças mais especiais do dia.
Quatorze quilômetros por Roma
Seguimos do Coliseu ao Vittoriano, Pantheon, Piazza Navona e Piazza di Spagna.
Foram aproximadamente 14 quilômetros de caminhada.
Não me recordo exatamente do que almoçamos naquele dia, mas me recordo da disposição da minha avó. Aos 77 anos, ela percorreu uma distância que teria cansado pessoas muito mais jovens.
Apesar disso, foi um erro de planejamento concentrar tantos lugares em um único dia.
Conseguimos passar diante de muitas atrações, mas não tivemos tempo nem energia para conhecê-las com profundidade.
Meu aniversário na Basílica de São Pedro
O terceiro dia era o meu aniversário.
Depois do café da manhã, voltamos ao Vaticano para assistir a uma missa na Basílica de São Pedro.
Dois dias antes, eu estava atravessando a Itália em um trem noturno. Depois, reencontrei minha família após quase três anos. Na manhã do meu aniversário, estava assistindo a uma missa dentro da basílica que havia estudado durante a faculdade, acompanhada pela minha avó e por algumas das pessoas mais importantes da minha vida.
Arquitetura, história, religião, família e memória ocupavam o mesmo espaço.
Depois da missa, almoçamos em um restaurante de culinária napolitana próximo ao Vaticano.
Quando retornamos ao Airbnb, descobri que minha família havia comprado um bolo de surpresa. Cantamos parabéns rapidamente e começamos a arrumar as malas.
Pegamos um táxi até Roma Termini e embarcamos em um Frecciarossa para Vicenza.
Era hora de nos despedirmos de Roma.
Curiosidades sobre Roma
Roma tornou-se oficialmente a capital da Itália em 1871.
O nome oficial do Coliseu é Anfiteatro Flávio;
A Fontana di Trevi marca o ponto final de um antigo aqueduto;
A forma da Piazza Navona preserva o desenho do Estádio de Domiciano;
O óculo do Pantheon é aberto e permite a entrada de luz e chuva;
A Cidade do Vaticano é um Estado independente localizado dentro de Roma;
Roma foi construída em diferentes níveis, e muitas estruturas antigas permanecem sob as construções atuais;
O centro histórico reúne edifícios da Antiguidade, da Idade Média, do Renascimento, do Barroco e da Itália moderna em distâncias muito pequenas;
A Via dei Fori Imperiali foi aberta em 1932 e exigiu a demolição de parte de um bairro existente;
Alguns edifícios romanos foram preservados justamente porque receberam novas funções ao longo da história;
O que comer em Roma
Não experimentamos todos os pratos tradicionais durante essa viagem, mas quem visita Roma pode procurar:
Carbonara
Preparada tradicionalmente com massa, ovos, pecorino romano, guanciale e pimenta-do-reino. A receita tradicional não leva creme de leite.

Cacio e pepe
Uma das massas mais simples e conhecidas de Roma, feita com pecorino romano e pimenta-do-reino.

Amatriciana
Molho preparado com tomate, guanciale e pecorino romano.

Gricia
Considerada uma das antecessoras da amatriciana, leva guanciale, pecorino e pimenta, mas não utiliza tomate.

Supplì
Bolinho de arroz frito, normalmente recheado com molho e mozzarella. É uma opção prática para comer durante os passeios.

Carciofi
As alcachofras aparecem em preparações tradicionais como carciofi alla romana e carciofi alla giudia.

Saltimbocca alla romana
Prato preparado com vitela, presunto cru e sálvia.

Maritozzo
Pão doce macio, geralmente aberto e recheado com bastante creme.

Durante a nossa viagem, a comida mais memorável não foi um prato tradicional romano, mas o tiramisù improvisado como bolo de aniversário diante do Coliseu.

Dicas úteis
- Compre antecipadamente os ingressos do Coliseu, Fórum Romano e Palatino pelo site oficial;
- Para grupos, compre todos os ingressos na mesma etapa;
- Não conte com a possibilidade de encontrar entradas para todos na hora;
- Confira novamente as regras, os horários e as modalidades de ingresso antes da viagem;
- Chegue muito cedo à Fontana di Trevi;
- Reserve mais tempo para o Vaticano do que imagina;
- Confira os horários das missas antes da visita;
- Utilize roupas adequadas para entrar na Basílica de São Pedro;
- Considere o tempo necessário para passar pelos controles de segurança;
- Leve sapatos realmente confortáveis;
- Tenha uma capa de chuva compacta;
- Fique próximo a uma estação de metrô;
- Considere a localização da hospedagem antes de escolher apenas pelo preço;
- Não tente concentrar a Roma Antiga e todo o centro histórico no mesmo dia;
- Inclua pausas reais para refeições e descanso;
- Verifique a acessibilidade de cada monumento;
- Planeje alternativas para quem não conseguir subir escadarias;
- Considere utilizar táxi em alguns deslocamentos quando estiver com idosos;
- Separe pelo menos quatro ou cinco dias se quiser entrar nos principais monumentos;
- Escolha no máximo duas grandes atrações com ingresso marcado por dia;
- Mantenha parte do roteiro opcional para poder adaptá-lo ao cansaço do grupo.
O que eu faria diferente
Eu dividiria o nosso segundo dia em dois:
- Primeiro dia de passeio: Coliseu, Fórum Romano, Palatino, Via dei Fori Imperiali e Vittoriano;
- Segundo dia de passeio: Fontana di Trevi, Pantheon, Piazza Navona e Piazza di Spagna.
Também compraria todos os ingressos assim que as vendas fossem liberadas e reservaria uma manhã inteira para explorar a Basílica e a Piazza San Pietro com calma.
Nosso roteiro permitiu ver muitos lugares, mas sacrificou profundidade e conforto.
Fazer mais atrações não significa necessariamente conhecer melhor a cidade.
Roma em família e com idosos
Roma pode ser visitada por pessoas mais velhas, mas exige planejamento realista.
O centro possui pisos irregulares, escadarias, longas distâncias e monumentos em que a circulação pode ser cansativa. Filas e controles de segurança também aumentam o tempo em pé.
Para um roteiro mais confortável:
- Limite cada dia a uma região da cidade;
- Escolha no máximo duas atrações principais;
- Intercale monumentos com cafés e pausas;
- Utilize metrô ou táxi para reduzir os deslocamentos;
- Evite depender exclusivamente de caminhadas;
- Verifique previamente elevadores e acessos adaptados;
- Não compre ingressos em horários muito próximos;
- Mantenha parte do roteiro opcional;
- Escolha uma hospedagem próxima ao principal interesse da viagem;
- Considere a distância entre a estação de metrô e a hospedagem;
- Evite restaurantes que exijam longos desvios do percurso;
- Tenha um plano para quem preferir não entrar em determinada atração.
Nossa família conseguiu completar um percurso intenso, mas isso não transforma o roteiro em uma boa recomendação.
Caminhar 14 quilômetros com pessoas mais velhas foi excessivo.
Roma pelos olhos de uma arquiteta
Roma não pode ser compreendida como uma coleção de edifícios isolados.
O que torna a cidade extraordinária é a convivência entre construções de épocas completamente diferentes.
A geometria de um estádio romano continua determinando a forma de uma praça barroca. Um antigo templo se transforma em igreja. Ruínas aparecem ao lado de avenidas movimentadas. Colunas, pedras e fragmentos de construções antigas são incorporados a edifícios posteriores.
Na Fontana di Trevi, arquitetura, escultura e água formam uma única composição.
Na Piazza San Pietro, Bernini utiliza a colunata para construir um espaço monumental e, ao mesmo tempo, conduzir o olhar e o movimento das pessoas.
No Pantheon, geometria, estrutura e luz criam uma experiência que ainda influencia a arquitetura contemporânea.
O Coliseu mostra a capacidade romana de organizar fluxos, estrutura e grandes multidões. A Piazza di Spagna transforma uma escadaria em cenário urbano. A Piazza Navona conserva a memória de uma construção desaparecida por meio do desenho da cidade.
A Via dei Fori Imperiali também demonstra que preservar e valorizar o passado não são processos neutros. Para criar a perspectiva monumental atual, outra parte da cidade foi demolida.
Durante a faculdade, estudei muitas dessas obras separadamente.
Em Roma, percebi como elas fazem parte de um sistema urbano muito mais complexo.
Ainda assim, não consegui conhecer a cidade com a profundidade que desejava. Não entrei no Pantheon, no Fórum Romano ou no Palatino. Minha visita à Basílica de São Pedro foi mais rápida do que gostaria.
Como arquiteta, saí com a sensação de ter visto muito pouco.
Mas essa primeira viagem não precisava responder a todas as minhas curiosidades profissionais.
Roma não desapareceria depois da nossa partida.
Eu poderia voltar.
Vale a pena conhecer Roma?
Roma não é uma cidade para visitar apenas uma vez.
Três dias foram suficientes para um primeiro contato, mas não para compreender tudo o que a cidade possui. Também não foram suficientes para entrar em todos os monumentos ou observá-los com calma.
Ainda assim, aquela viagem não foi incompleta.
Eu poderia não ter conhecido tudo o que desejava como arquiteta. Poderia não ter visitado o Fórum Romano, entrado no Pantheon ou permanecido horas analisando a Basílica de São Pedro.
Mas aquela não era uma prova de produtividade turística.
Era a primeira viagem internacional da minha família. Era o nosso reencontro depois de quase três anos. Era a chegada da minha avó ao país que aprendeu a amar por meio das histórias contadas pelos avós dela.
Quando eu tinha cinco anos, dizia que moraria na Itália e que ela viria comigo.
Naquela viagem, Roma foi o lugar onde essa promessa finalmente se realizou.
Sem sombra de dúvidas, foi um dos melhores lugares que já colecionamos.
E um lugar ao qual pretendo voltar muitas vezes.
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