Verona, Itália: um roteiro de um dia pelo centro histórico, passando pela Arena, Casa di Giulietta, Piazza delle Erbe, Casa di Romeo e Ponte Pietra, com dicas para visitar a cidade com cachorro.
Meu primeiro contato com Verona aconteceu em agosto de 2021, mas naquela ocasião fomos apenas a um shopping para fazer compras. Eu tinha estado em Verona, mas ainda não podia dizer que realmente conhecia a cidade.

A primeira visita de verdade aconteceu dois meses depois, em outubro de 2021. Chegamos de trem, vindos de Adria, alugamos patinetes elétricos na estação e seguimos até o centro histórico. A partir dali, fizemos todo o passeio a pé.
Essa viagem também marcou o início de uma nova fase: já estávamos com nosso filhotinho, que, daquele momento em diante, se tornaria nosso companheiro de aventuras.
Foi apenas a primeira de muitas visitas a Verona. Naquele dia, conhecemos os lugares mais ligados à história de Romeo e Giulietta, vimos a Arena somente por fora e caminhamos até a Ponte Pietra.
Voltei muitas outras vezes para descobrir o que havia ficado de fora — e cada uma dessas experiências ainda poderá render novos posts.
Informações rápidas
- Local: Verona, Veneto, Itália
- Primeiro contato com a cidade: agosto de 2021
- Primeira visita ao centro histórico: outubro de 2021
- Duração: um dia
- Como chegamos: de trem, saindo de Adria
- Da estação ao centro: patinete elétrico
- No centro histórico: percurso a pé
- Com cachorro: sim, nossa primeira aventura com o filhotinho
- Visitamos a Arena por dentro: não nessa ocasião
- Voltaria: sim — e voltei muitas vezes
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A história desse lugar
Verona é uma daquelas cidades em que os diferentes períodos da história não parecem substituir uns aos outros: eles se acumulam.
A estrutura romana ainda pode ser percebida nas ruas e nos monumentos. As torres, casas fortificadas e palácios recordam a cidade medieval. As fachadas renascentistas, as muralhas e as marcas do domínio veneziano completam uma paisagem urbana construída ao longo de mais de dois mil anos.
Protegida pela curva do rio Adige e localizada em um ponto estratégico entre diferentes rotas comerciais, Verona ganhou importância durante o período romano. No século I a.C., tornou-se um município romano e passou por um intenso desenvolvimento urbano.
A Arena, a Ponte Pietra, a Porta Borsari e os vestígios da Porta Leoni são algumas das construções que ainda ajudam a contar essa fase.
Durante os séculos XIII e XIV, Verona viveu outro período de grande prosperidade sob o domínio da família Della Scala, também conhecida como os Scaligeri. Foi nessa época que surgiram fortificações, palácios e monumentos que ainda fazem parte da identidade da cidade.
Um dos governantes mais conhecidos foi Cangrande I della Scala, que recebeu Dante Alighieri durante parte de seu exílio. Por isso, Dante mantém uma ligação especial com Verona e ganhou uma estátua no centro da Piazza dei Signori.
Em 1405, Verona passou para o domínio da República de Venezia. Depois vieram o período napoleônico, o domínio austríaco e, em 1866, a integração ao Reino da Itália.
A cidade foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2000 por preservar um conjunto excepcional de monumentos romanos, medievais e renascentistas, além de representar a evolução contínua de uma cidade fortificada durante aproximadamente dois mil anos. UNESCO – Cidade de Verona
A cidade de Romeo e Giulietta
É impossível falar sobre Verona sem mencionar Romeo e Giulietta.
William Shakespeare ambientou na cidade uma das histórias de amor mais conhecidas do mundo. Não existem provas definitivas de que os dois jovens tenham vivido exatamente como na tragédia, mas alguns elementos presentes na história possuem relação com famílias e conflitos que realmente existiram em Verona.
A família Montecchi é citada em registros históricos, enquanto a Casa di Giulietta ocupa um edifício medieval que pertenceu à família Dal Cappello — nome que lembra os Capuleti da obra de Shakespeare.
A casa, porém, passou por diversas transformações. A fachada voltada para o pátio foi modificada entre 1939 e 1940, quando o famoso balcão foi acrescentado. Os interiores também foram reorganizados para recriar a atmosfera de uma residência medieval.
Mais do que comprovar a existência de Romeo e Giulietta, esses lugares ajudam a manter vivo o imaginário criado ao redor da história. Verona soube unir literatura, arquitetura e tradição em uma experiência que continua atraindo pessoas do mundo inteiro.

Como chegar
De trem
Verona Porta Nuova é a principal estação ferroviária da cidade e recebe trens regionais e de alta velocidade vindos de diferentes regiões italianas.
Naquela primeira visita, saímos de Adria e chegamos de trem. Ao desembarcar, alugamos patinetes elétricos para fazer o trajeto até o centro histórico. Foi uma maneira prática e divertida de começar o passeio, especialmente porque ainda estávamos nos acostumando a explorar as cidades italianas.
Da estação até a Piazza Bra são aproximadamente 15 a 20 minutos caminhando. Também é possível utilizar os ônibus urbanos que partem do pátio em frente à estação. Informações oficiais para chegar de trem.
De carro
Quem chega de carro deve ficar atento à ZTL do centro histórico. A melhor opção é escolher um estacionamento fora da área restrita e continuar o passeio a pé.
Como as principais atrações desse roteiro ficam próximas, o carro não é necessário para explorar o centro.
Do aeroporto
O Aeroporto Valerio Catullo fica nos arredores de Verona. De lá, é possível seguir até a estação Porta Nuova e começar o passeio a partir da Piazza Bra.
O que ver e fazer
1. Piazza Bra
A Piazza Bra é uma das principais portas de entrada para o centro histórico. É uma praça ampla, cercada por restaurantes, edifícios de diferentes períodos e pela construção mais conhecida de Verona: a Arena.
Foi ali que começamos nosso percurso a pé.
2. Arena di Verona
Naquela primeira visita, conhecemos a Arena somente pelo lado externo. Caminhamos ao redor do edifício, observamos seus arcos e a pequena parte preservada do antigo anel externo, conhecida como Ala.
Mesmo sem entrar, a Arena impressiona pela escala e pelo contraste com a vida atual da cidade. Construída no início do século I d.C., ela foi utilizada para combates de gladiadores, caçadas com animais e outros espetáculos públicos.
Um terremoto ocorrido em 1183 destruiu grande parte do anel externo que originalmente envolvia o anfiteatro. Ainda assim, a estrutura interna permaneceu muito bem preservada e continua sendo utilizada para óperas, concertos e eventos. História oficial da Arena di Verona.
Voltamos posteriormente para conhecer seu interior, mas essa experiência merece um post separado.
3. Via Mazzini
Da Piazza Bra, seguimos pela Via Mazzini, uma das ruas comerciais mais conhecidas de Verona. Ela conecta a região da Arena à Piazza delle Erbe e passa próxima à Casa di Giulietta.
É uma rua bastante movimentada, com lojas, vitrines e grande circulação de visitantes.
4. Casa di Giulietta
A Casa di Giulietta foi uma das paradas mais esperadas daquele dia. Entramos no famoso pátio, vimos o balcão e encontramos a estátua de Giulietta.
Também participamos da conhecida tradição de tocar o seio direito da estátua, gesto que, segundo a lenda, traz sorte no amor.
A estátua que atualmente fica no pátio é uma cópia instalada em 2014. A original, criada por Nereo Costantini em 1969, precisou ser retirada porque havia sido danificada justamente pelo contato constante dos visitantes. A tradição e a estátua de Giulietta.
Naquele dia não fizemos uma visita detalhada ao interior da casa. Nosso interesse principal era conhecer o pátio, o balcão e o lugar que se tornou um dos símbolos da cidade.
5. Piazza delle Erbe
Depois seguimos até a Piazza delle Erbe, uma das praças mais bonitas e movimentadas de Verona.
Durante o período romano, essa área correspondia ao fórum da cidade. Posteriormente, tornou-se um importante espaço comercial e político. O nome atual começou a ser utilizado no século XIV, quando ali funcionava um mercado de frutas e verduras.
O mercado continua presente, embora hoje as bancas também vendam roupas, lembranças e produtos voltados aos visitantes. Ao redor da praça estão edifícios de diferentes épocas, como a Domus Mercatorum, o Palazzo Maffei, as Case Mazzanti e a Torre dei Lamberti.
Foi nessa região que paramos para almoçar uma bela pizza. Entre o movimento da feira, as fachadas históricas e a atmosfera da praça, o almoço acabou fazendo parte da experiência de conhecer a cidade. História da Piazza delle Erbe.
6. Arco della Costa e a costela suspensa
Próximo à Piazza delle Erbe está o Arco della Costa, uma passagem elevada que conduz à Piazza dei Signori.
Durante o domínio veneziano, esse corredor permitia que os magistrados passassem de sua residência ao tribunal sem caminhar pela rua e sem correr o risco de serem abordados por pessoas interessadas em influenciar suas decisões.
Mas o detalhe que mais chama a atenção está pendurado sob o arco: um grande osso conhecido como a costela da baleia. Sua origem não é completamente esclarecida — há quem diga que seja realmente de uma baleia e quem levante a possibilidade de pertencer a um ictiossauro.
O objeto está suspenso no local há séculos e se tornou uma das curiosidades mais peculiares de Verona. Arco della Costa e a costela suspensa.
7. Piazza dei Signori e a estátua de Dante
Atravessando o Arco della Costa, chegamos à Piazza dei Signori, também conhecida como Piazza Dante.
Mais reservada que a Piazza delle Erbe, ela é cercada por edifícios ligados ao antigo poder político e administrativo de Verona. No centro está a estátua de Dante Alighieri.
Dante viveu parte de seu exílio em Verona e foi recebido pela família Della Scala, especialmente por Cangrande. A presença da estátua naquele conjunto de palácios recorda a relação do poeta com a corte scaligera. Dante Alighieri em Verona.
8. Casa di Romeo
Também passamos pela construção conhecida como Casa di Romeo, próxima às Arche Scaligere.
Ao contrário da Casa di Giulietta, o edifício não funciona como museu. Trata-se de uma propriedade privada e só pode ser observado pelo lado externo.
A construção medieval, com fachada gótica do século XIV e aparência fortificada, é associada pela tradição à família Montecchi. Historiadores afirmam, entretanto, que o imóvel provavelmente pertenceu a Cagnolo Nogarola. Ainda assim, sua arquitetura ajuda a completar o cenário imaginado para a história de Romeo e Giulietta. Informações oficiais sobre a Casa di Romeo.
9. Ponte Pietra
Nosso percurso terminou na região da Ponte Pietra, às margens do rio Adige.
Construída no século I a.C., ela é o monumento romano mais antigo de Verona. A mistura de pedras claras e tijolos revela as diferentes reconstruções realizadas ao longo dos séculos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, grande parte da ponte foi destruída por tropas alemãs em retirada. A reconstrução foi realizada cuidadosamente, com o reaproveitamento de materiais recuperados do leito do rio e o estudo de fotografias e documentos antigos.
Hoje, a ponte é destinada a pedestres e bicicletas e oferece uma das paisagens mais características de Verona, com o rio Adige, as fachadas do centro e o Colle San Pietro ao fundo. História da Ponte Pietra.
Naquela visita, ficamos somente nessa região. Não subimos ao Castel San Pietro e também não incluímos nenhum castelo no roteiro. Essas experiências ficaram para os retornos seguintes.





















Roteiro sugerido
Para repetir um percurso semelhante ao que fizemos:
- Estação Verona Porta Nuova;
- Patinete, ônibus ou caminhada até a Piazza Bra;
- Arena di Verona pelo lado externo;
- Via Mazzini;
- Casa di Giulietta;
- Piazza delle Erbe;
- Pausa para almoço;
- Arco della Costa e a costela suspensa;
- Piazza dei Signori e estátua de Dante;
- Casa di Romeo;
- Caminhada até a Ponte Pietra.
É um roteiro concentrado no coração histórico da cidade e pode ser feito com calma em um dia.

Nossa experiência
O passeio começou de uma maneira diferente das viagens anteriores. Assim que chegamos à estação, alugamos patinetes elétricos e seguimos em direção ao centro. Foi a primeira vez que utilizamos esse tipo de transporte em uma viagem e ele facilitou bastante o trajeto inicial.
Mas o detalhe mais especial daquele dia era estar com nosso filhotinho. Ele ainda era pequeno e aquela foi a primeira aventura que fizemos juntos. A partir dali, passou a fazer parte de nossos passeios, trilhas e viagens.
Ao chegar à Piazza Bra e ver a Arena pela primeira vez, já tivemos a sensação de que Verona era muito maior do que a história de Romeo e Giulietta. O monumento romano dominava a praça e deixava claro quantos períodos diferentes existiam naquela cidade.
Ainda assim, conhecer os lugares ligados aos personagens de Shakespeare foi muito especial. Visitamos o pátio da Casa di Giulietta, participamos da famosa tradição junto à estátua e vimos o balcão que tantas pessoas associam à história.
Depois, caminhamos entre as bancas da Piazza delle Erbe e paramos para comer uma pizza. Vimos o curioso osso suspenso no Arco della Costa, encontramos Dante no centro da Piazza dei Signori e passamos pela fachada medieval da Casa di Romeo.
Seguimos a pé até a Ponte Pietra, onde o rio Adige e a paisagem ao redor encerraram nosso primeiro encontro com o centro histórico.
Não entramos na Arena, não subimos às torres, não fomos aos castelos e deixamos vários monumentos para trás. Mesmo assim, foi incrível finalmente conhecer a cidade de Romeo e Giulietta.
Talvez tenha sido justamente isso que nos fez voltar tantas vezes: saímos de Verona sabendo que ainda havia muito para descobrir.
Curiosidades sobre Verona
- O centro histórico entrou para a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO em 2000.
- A Arena foi construída no início do século I d.C. e continua recebendo espetáculos.
- Apenas uma parte do antigo anel externo da Arena permanece de pé: a chamada Ala.
- A Piazza delle Erbe ocupa aproximadamente o local do antigo fórum romano.
- A estátua original de Giulietta foi retirada do pátio devido ao desgaste causado pelo toque dos visitantes.
- O famoso balcão da Casa di Giulietta foi acrescentado durante uma restauração realizada entre 1939 e 1940.
- A Casa di Romeo é uma propriedade privada e não pode ser visitada internamente.
- O objeto pendurado no Arco della Costa pode ser uma costela de baleia ou de um antigo animal marinho.
- A Ponte Pietra foi parcialmente destruída em 1945 e reconstruída com materiais recuperados do rio.
- A ligação de Dante com Verona não é apenas simbólica: o poeta realmente viveu na cidade durante seu exílio.
O que comer em Verona
Naquela primeira visita, escolhemos algo simples e paramos para comer pizza na região da Piazza delle Erbe.
Quem quiser conhecer melhor a gastronomia veronesa pode procurar por:
Risotto all’Amarone
Risoto preparado com Amarone della Valpolicella, um dos vinhos mais conhecidos da região de Verona. Possui sabor intenso e coloração escura característica.

Risotto al tastasal
Preparado com carne de porco temperada semelhante ao recheio utilizado na produção de salames. É um prato tradicional da região.

Pastissada de caval
Carne de cavalo cozida lentamente com vinho, especiarias e outros temperos. É um dos pratos mais tradicionais — e também um dos que podem causar maior estranhamento para quem não está acostumado com esse tipo de carne.

Lesso con la pearà
Carnes cozidas servidas com a pearà, um molho preparado tradicionalmente com pão ralado, caldo, pimenta e tutano.

Gnocchi di Verona
Os gnocchi possuem uma ligação especial com o Carnaval de Verona e com a figura do Papà del Gnoco, personagem tradicional da cidade.

Pandoro
Embora hoje seja encontrado em toda a Itália durante o Natal, o pandoro nasceu em Verona. Seu formato de estrela e a cobertura de açúcar são algumas de suas características mais conhecidas.

Dicas úteis
- Use calçados confortáveis: o centro deve ser explorado a pé e possui vários trechos de pedra.
- Da estação à Piazza Bra, é possível caminhar em aproximadamente 15 a 20 minutos.
- A região da Casa di Giulietta e da Piazza delle Erbe costuma ficar bastante movimentada. Se puder, visite pela manhã.
- Não dependa de encontrar gratuitamente o antigo acesso ao pátio da Casa di Giulietta. Atualmente, o percurso possui entrada controlada e reserva online obrigatória.
- Confira os horários da Arena nos dias de óperas, concertos e eventos.
- Se pretende entrar em vários monumentos, calcule se a VeronaCard compensa para o seu roteiro.
- A VeronaCard custa atualmente €27 por 24 horas e €32 por 48 horas, inclui os ônibus urbanos e permite uma entrada em cada atração participante. O transporte do aeroporto e o funicular não estão incluídos. Informações oficiais da VeronaCard
- A reserva da Casa di Giulietta continua obrigatória mesmo para quem possui a VeronaCard.
- Quem viaja com cachorro deve consultar as regras específicas de cada museu.
- Se chegar de carro, não entre na ZTL sem verificar as regras e os horários.
- A Casa di Romeo só pode ser observada externamente.
- A Ponte Pietra é gratuita e aberta para pedestres e bicicletas.
- Leve água durante o verão, pois Verona pode ficar muito quente.
- Se quiser fotografar as praças com menos pessoas, comece o passeio cedo.
- Salve os ingressos e reservas no celular para não depender da internet.
- Não tente incluir todas as atrações internas em poucas horas. Isso transforma um centro histórico agradável em uma corrida.
O que eu faria diferente
Se pudesse reorganizar aquela primeira visita, eu começaria o passeio mais cedo e pesquisaria melhor quais atrações permitiam a entrada com cachorro.
Também:
- Entraria na Arena;
- Reservaria antecipadamente a Casa di Giulietta;
- Passaria pelas Arche Scaligere com mais atenção;
- Subiria até o Castel San Pietro para ver a cidade do alto;
- Conheceria o interior de pelo menos uma igreja;
- Pesquisaria um restaurante com pratos tradicionais de Verona;
- Evitaria concentrar tantas paradas apenas nos lugares ligados a Romeo e Giulietta;
- Reservaria mais tempo para observar a arquitetura;
- Conferiria previamente as regras dos patinetes para transportar ou acompanhar o cachorro;
- Consideraria ficar até o início da noite para ver o centro iluminado.
Ao mesmo tempo, não considero que o roteiro tenha sido errado. Ele correspondeu ao que conseguíamos fazer naquele momento e nos deu motivos suficientes para voltar.
Verona com cachorro
O centro histórico de Verona pode ser explorado facilmente com cachorro, principalmente quando o roteiro é concentrado nas praças, ruas e atrações externas.
Leve:
- Guia e identificação;
- Água e recipiente portátil;
- Saquinhos higiênicos;
- Focinheira para transportes e locais que possam exigi-la;
- Caixa ou bolsa de transporte, no caso de cães pequenos;
- Petiscos;
- Proteção para as patas em dias muito quentes;
- Toalha pequena em dias de chuva.
Grande parte do centro possui pavimentação de pedra. No verão, o piso pode ficar muito quente, enquanto em dias de chuva algumas superfícies podem se tornar escorregadias.
Nos ônibus urbanos da ATV, animais pequenos podem viajar gratuitamente no colo ou dentro da caixa de transporte. Cães de médio e grande porte precisam de passagem e devem estar com guia e focinheira. O transporte pode ser recusado quando o veículo estiver muito cheio. Regras da ATV para animais
Atualmente, alguns museus municipais aceitam cães pequenos somente dentro de bolsas ou caixas apropriadas. Isso inclui a Arena, a Casa di Giulietta, o Museo di Castelvecchio, as Arche Scaligere e outros espaços. As condições devem ser consultadas antes da visita. Verona pet friendly
Como nosso cachorro ainda era filhote e nosso roteiro foi principalmente externo, conseguimos aproveitar a cidade sem grandes dificuldades.
Verona pelos olhos de uma arquiteta
Verona é interessante porque sua história não está concentrada em um único monumento. Ela pode ser lida na própria estrutura urbana.
A cidade romana ainda aparece na organização das ruas, na posição da Piazza delle Erbe — antigo fórum —, na Arena, na Ponte Pietra e nos vestígios das antigas portas.
Sobre essa estrutura foram acrescentados os edifícios medievais, as casas-torre, os palácios dos Scaligeri, as igrejas, as construções renascentistas e as intervenções realizadas durante os períodos veneziano e austríaco.
A Piazza Bra e a Piazza delle Erbe oferecem experiências urbanas muito diferentes. A primeira possui uma escala ampla e monumental, dominada pela Arena. A segunda é mais fechada, irregular e rica em detalhes, cores, fachadas pintadas e elementos sobrepostos.
A Piazza dei Signori, por sua vez, parece mais controlada e institucional. A curta passagem entre essas três praças mostra como a arquitetura pode alterar completamente a percepção de um espaço sem exigir grandes deslocamentos.
A Arena também chama atenção pela forma como continua integrada à vida contemporânea. Ela não aparece isolada como uma ruína arqueológica cercada por barreiras. Continua ocupando uma posição central e recebendo milhares de pessoas para espetáculos.
Outro aspecto marcante é a relação com o rio Adige. A curva do rio ajudou a proteger e organizar a cidade, enquanto as pontes criaram conexões fundamentais entre o núcleo histórico e as áreas localizadas na outra margem.
Na Ponte Pietra, essa relação se torna especialmente visível. A ponte, o rio, o tecido urbano e o Colle San Pietro formam uma das paisagens mais completas de Verona.
Foi ali que percebi que Verona não poderia ser reduzida ao balcão de Giulietta. A cidade possui uma continuidade histórica e arquitetônica muito mais complexa do que a imagem romântica utilizada para promovê-la.
Vale a pena conhecer Verona?
Sim.
Verona é uma cidade compacta, caminhável e repleta de camadas históricas. Em poucas horas, é possível passar por ruínas romanas, edifícios medievais, praças renascentistas, palácios, mercados e lugares ligados à literatura.
Quem conhece apenas a fama de Romeo e Giulietta pode imaginar que a cidade vive exclusivamente dessa história. Mas Verona oferece muito mais: a Arena, o rio Adige, a Ponte Pietra, as construções dos Scaligeri, as igrejas, os museus, os castelos e uma das paisagens urbanas mais interessantes do Veneto.
Um dia permite conhecer os pontos principais. Dois dias são mais adequados para entrar nos monumentos, visitar Castelvecchio, subir ao Castel San Pietro e aproveitar a cidade sem pressa.
Para nós, aquela primeira visita também teve um significado especial: foi o começo das viagens com nosso cachorro e o primeiro de muitos encontros com uma cidade à qual continuaríamos voltando.
Verona não entrou para a coleção apenas como a cidade de Romeo e Giulietta. Ela se tornou um lugar que fomos descobrindo aos poucos.
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